3 de dez de 2017

Depois do café, um trauma




O chão estava frio, era noite, caía uma chuva fina no meu rosto, enquanto sentia uma dor insuportável na minha perna esquerda. Essa dor me mantinha imóvel, ali no meio da estrada.

Rapidamente apareceram algumas pessoas desconhecidas, perguntando se eu estava bem, falando comigo, me mantendo acordada e tentando me acalmar.  Só conseguia pensar em avisar alguém, três porcento de bateria no celular, que pedi a um deles pra pegar na minha mochila, aih meu deus! Onde está minha mochila? Nenhum número de conhecido na cabeça e um desespero por não conseguir contato com ninguém da minha família. 

Pensa Daiana, pensa, você precisa avisar alguém.... Até que lembrei do amigo que estava a meia hora atrás tomando um café comigo e um pão de queijo dos deuses...  Hesitei, não gosto de dar trabalho,  atendeu! Um pedido de ajuda e menos de vinte minutos ele estava no local. Graças a Deus alguém conhecido, um pouco de conforto.

De repente muito frio, meu corpo começou a tremer descontroladamente, colocaram um casaco sobre mim, enquanto faziam a sinalização do acidente na rodovia.  Eu ainda no chão, imóvel, com frio e ainda mais dor, dessa vez por todo o corpo. Tentei não chorar mais foi inevitável, soluços e mais soluços, gemido de dor.

Aqueles homens desconhecidos, pararam suas vidas naquele momento pra me ajudar. Em um desespero peço pra um deles que não vá embora. E falo pra meu amigo: " Fica comigo, estou com medo, me tira da rua. "  E ele com a voz calma como eu nunca havia visto, pedindo pra eu ficar tranquila:  "Não se meche  que  a emergência já está vindo e  não precisa ter medo,  eu estou aqui".


Sirenes, um alívio,  abrem espaço e mais três homens da emergência me examinam. Perguntam meu nome, enquanto outros estavam me colocando na prancha, lanterna nos olhos, "bateu a cabeça? " Respondo que não. "Quem tirou seu capacete?"  Respondo que eu mesma.  "Estava sozinha? " Não respondo, mas alguém ao fundo fala por mim.

A minha direita meu amigo com minha bolsa nas mãos e falando ao telefone.  "Vou colocar sua moto na pickup". Colar cervical, amarrada a maca, ambulância, mais sirene, teto com uma luz forte, mais frio, e mais pessoas conversando comigo e eu não queria falar, muita sede.

No posto de saúde, tramol subcutâneo pra dor. Muita dor. Enquanto me faziam rir com alguma piada que nem me lembro mais qual era. Colar cervical me machucando.  Vamos levá-la pro raiox . Nada quebrado, apenas trauma, talvez uma fratura no tornozelo, vamos imobilizar. Porra! Rasgaram minha única leggein preta...  Transferência pra um hospital com ortopedista, mais algumas pilhas de exames de imagem. Uma noite de observação, estou bem. Bora pra casa. Minha mãe feliz pois passarei um tempo com ela.

Mas tô bem mesmo?  Estresse pós traumático, flashs do acidente na minha mente, não consigo andar, sem conseguir me concentrar por muito tempo, medo de pegar estrada, preciso escrever pra entender, está difícil respirar lá fora...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita, Esse é nosso cantinho interativo. Fique a vontade para deixar seu comentário, saiba que todos serão lidos e respondidos com toda atenção . Lembre-se de ser educado e elegante , esta é a única regra.

Image Map