31 de jan de 2016

Traumas Machadianos e a superação


Estava aqui pensando no poder de uma releitura e como ela muda nossa interpretação.

No período escolar me lembro bem que uma professora de português, diga-se de passagem maravilhosa, fez com que toda a turma lesse Machado de Assis para apresentação de um trabalho, fato este que não foi um trabalho de leitura isolada, ela já estava trabalhando isso cerca de dois a três anos conosco e foi uma das únicas vezes em que ela pediu que fosse feito uma leitura de um autor indicado pela mesma. 

Ao meu ver na opinião dela seus alunos estavam de certa forma preparados para uma leitura mais rebuscada e séria, mas concluo hoje que não, pelo menos de minha parte, uma leitora que "vagava" lá pelos bandas do infantojuvenil jamais poderia pegar o gosto por qualquer leitura Machadiana, o que transformou esse lindo projeto em uma espécie de trauma para mim. 

Muitos anos longe desse tipo de leitura, passei pelos mais diversos estilos e também gostos, amadureci lendo Paulo Coelho e posteriormente o odiando,  lendo Martha Medeiros, Elizabeth Gilbert, David Nicholls, Mário de Andrade, Clarice Lispector, caracterizando-os como leituras leves, de fácil interpretação e por fim, para meu grande susto Flaubert, e entender Flaubert de fato foi o responsável por me preparar para algo mais classudo e me fazer ultrapassar barreiras, aí sim me veio à fase "superando traumas Machadianos " eis que leio Dom Casmurro, Memórias póstumas e O alienista e por conclusão me sobraram mais alguns títulos na lista com o nome desse autor, antes por mim incompreendido, hoje admirado.

Conclui na verdade que cada um temos fases, não adianta pedir para que alguém virgem em literatura intenda os devaneios de alguns autores clássicos, cada um particularmente tem um momento, uns são mais depressa, outros mais demorados, alguns talvez nem chegue nessa etapa o importante é não forçar para que isso não cause um bloqueio assim como ocorreu comigo. 

Concluo também que o poder da releitura vai bem além do que imaginamos e foi através dela que me descobri leitora insana por Machado de Assis, valeu então a segunda tentativa, ou talvez a segunda chance que dei para esses contos. 

2 comentários:

  1. eu não gosto de Machado de Assis, mas concordo que pode ser um "trauma" por ter sido obrigada a ler isso enquanto eu não estava acostumada com a literatura, certeza que um dia vou tentar ler, novamente.

    http://pinkisnotrose.blogspot.com.br/

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  2. Eu já tentei inúmeras vezes ler Machado de Assis por conta própria mesmo e sempre acabo me perdendo na história, o que me estressa muito. Eu li uma versão de Dom Casmurro de HQ que uma amiga pediu para que eu lesse, e amei. Agora quando tento ler Brás Cubas... :(
    http://www.itsbry.com.br/

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