16 de jan de 2016

Resenha: Swing - Eu, tu...Eles

Antes de iniciar a resenha, quero muito agradecer a Editora Chiado  pela oportunidade de resenhar esse livro e também agradecer pela parceria. Essa é apenas a primeira de muitas resenhas que virão por aqui. 

Mas não é por conta de ser parceria, que deixarei de dar a minha opinião sincera sobre o livro, porém, não poderia ser diferente, ele me surpreendeu. Primeiro porque eu tenho uma atração terrível por assuntos polêmicos e também por quebrar tabus. Terminei  a leitura em apenas dois dias de tão agradável que foi a mesma. 

swing eu tu e eles


Título : Swing - Eu, tu... Eles 
Autora: Maria Silvério 
Editora: Chiado 
Gênero: Sexualidade 
Páginas: 284
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Sinopse 

O swing (troca de casais) é o ponto de partida para reflexões acerca de valores, comportamentos e modelos conjugais, sexuais e de gênero predominantes há séculos nas sociedades ocidentais, mas, atualmente, em crise profunda. O livro Swing: Eu, Tu… Eles é o resultado de dois anos e meio de pesquisa, trabalho de campo realizado em clubes de swing em Portugal e entrevistas com casais adeptos da prática.Trata-se de um livro que mostra diferentes reflexões e fenômenos socioculturais que influenciam diretamente a nossa maneira de lidar com aspectos da vida afetivo-sexual.


Autora 

Maria Silvério é jornalista e antropóloga. Nasceu em Montes Claros, no norte de Minas Gerais (Brasil). É doutoranda em antropologia pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e mestre em antropologia com ênfase em Globalização, Migrações e Multiculturalismo. Estuda temas relacionados à sexualidade, gênero e relações íntimas não-monogâmicas, como swing, casamento aberto e poliamor. Também escreve sobre cultura e cotidiano de diferentes países como freelancer.




Resenha: 

" Imagine a pessoa amada na cama com outra... Agora, imagine que na cama ao lado você também esteja com alguém... "  É com essa frase impactante que se inicia a leitura de Swing - Eu, Tu ... Eles . O livro é o resultado de um estudo antropológico feito durante dois anos pela autora. No mesmo é retratado não só apenas a prática do Swing com bastantes detalhes, como também a sexualidade, o histórico das relações conjugais e o estudo das mesmas.  

- Ele é de certa maneira dividido em quatro importantes partes. Na primeira a autora nos dá uma ideia de como foi sua pesquisa, como foi difícil entrar nesse mundo como uma estudiosa e como foi recepcionada. Além também de nós apresentar como é uma noite "swinguer" , um clube com essa finalidade. Foi tudo muito bem detalhado, é possível perceber realmente o clima do local, como tudo realmente funciona. É importante salientar que a maior parte dos estudos dela baseou-se em clubes situados em Portugal, apenas em um momento citando um local no Rio de Janeiro. 

- Após essa parte de apresentação do mundo "swinguers", do ambiente, dos membros, do sigilo a autora parte para a compreensão das regras, de como é a vida social de swinguer fora de um clube e nesse momento ela já consegue mais intimidade com participantes e nos mostra que não existe um esteriótipo pre definido. 

- Outro fator importante se se comentar no livro é de que existe um período em que a autora desfoca-se um pouco do universo swinguer na intenção de nós passar uma compreensão mais a fundo de como historicamente e socialmente uma relação amo/paixão/casamento é fundamentada na sociedade. Nesse período ela cita diversos estudiosos, sociólogos, antropólogos, psicólogos que estudam esse mundo da sexualidade e da suas mudanças ao decorrer dos anos na sociedade contemporânea . 

- Voltando aqui ao mundo swinguer ela nos proporciona relatos de alguns casais mais a fundo, colocando em pauta principalmente como, porque entraram nessa prática e também os benefícios e malefícios a curto e longo prazo. 




O que mais me impressionou foi exatamente o fato do livro quebrar um tabu antigo, quebrar o silêncio desse mundo desconhecido dos swinguer, assim como comentado pela autora, temos o hábito de associar a prática com outras transgressões sociais, quando na verdade isso não passa de mais um preconceito, como em tudo quando o assunto é sexualidade. Outro fator importante no livro é o fim da crença de que existe esteriótipos, infelizmente quando o termo swinguers é utilizado, frequentemente é associado a pessoas que vivem as margens da sociedades, ligamos a prática as pessoa de menor status sociais, infratores, imorais, quando na verdade é bem ao contrário. Geralmente os frequentadores desses clubes são pessoas bem resolvidas, com carreiras admiráveis e uma vida conjugal estável. 

Confesso que nunca havia lido nada a respeito, apesar de sempre estar buscando livros com assuntos ligados à sexualidade e esse livro sem duvidas eliminou todo o meu preconceito com relação a prática de troca de casais e tirou todas as minhas duvidas . Uma coisa importante a citar e de que observei através do estudo da autora que as relações monogâmica na verdade são frutos de uma sociedade e civilização em que acreditava-se em um amor romantizado, sociedade que acredita que o "feliz para sempre" realmente existe em um casamento, as pessoas estão mudando e junto com elas essa necessidade de monogamia, na verdade sexo e amor são coisa bem diferentes e com os relatos que estão no livro fica bem mais fácil de entender esse conceito.  É notável também, através dos relatos que a prática de Swing não interfere negativamente uma relação conjugal, pelo contrário, muitos casais alegam melhoras, como maior cumplicidade, frequência sexual é vida social ativa .


 " Claro que agora vendo de cá para lá, para o passado, era mais cinzento, digamos assim. Agora temos um projeto conjunto que é interessante também e está muito no início. Temos uma coisa para fazer em conjunto, para explorar em conjunto, para falar sobre... E se não tivéssemos nada, então a coisa estava assim muito mais... Ela tem a vida profissional dela, eu tenho  a minha vida profissional e de resto é só tratar de todos... tratar de crianças. Assim, temos uma coisa só para nós. Mas não acredito que de alguma maneira a nossa relação estivesse comprometida se não fosse o swing... Nós temos uma relação muito forte."   pag. 201

" O swing pode proporcionar ao casal uma descoberta de novas experiências sexuais que pode ser boa ou pode ser má, como todas as coisas. Pode fortalecer ou destruir um casamento. Depende de como as pessoas levam a sua vida para o swing. O swing tem o lado bom e o lado mau, como todas as outras situações. Depende da pessoa. " pag. 206 e 207


O livro é muito bem estruturado, de fácil leitura e uma linguagem bem clara, possui relatos aprofundados, estudos históricos, citações de estudiosos sobre o tema . Lembra-se muito o estilo "documentário" então é interessante para estudar a prática e analisar. É importante dizer também que tem uma ótima diagramação, correção, porém senti falta de um único item,  uma foto da autora na apresentação da mesma. Fora isso é um livro completo e indicadíssimo por mim. 

Minha dica, por fim, é  ler sem preconceitos, tentar buscar um novo conhecimento, olhar um pouco além do que estamos acostumados a enxergar. Mesmo que você não tenha interesse na prática, acredito que o conhecimento será extremamente válido, não só por adquirir conhecimento, mas também para eliminar preconceitos e entende um pouco mais sobre sexo e amor é como as relações conjugais foram formadas ao decorrer do tempo.  Tenho certeza que você vai se surpreender ao perceber que as relações comuns possuem um peso considerável com relação sociedade e padronização de civilização. 


Avaliação :    




Um comentário:

  1. Amei sua resenha, bem explicativa e esclarecedora .... Deixa a gente com vontade ler o livro, parabéns Dai!

    Viviane - Blogger
    www.oamantedelivros.com.br

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