30 de nov de 2015

Capitalismo e o meio de futilidades



Como muitos aqui já devem saber, todos os anos eu adoto uma cartinha do Papai Noel dos correios, desde 2010 cumpro fielmente com esse projeto, a vida estando ou não muito boa. Mas enfim não é sobre o projeto ou sobre as cartinhas que eu vim falar, não diretamente. 

Na verdade vim falar de uma reflexão quase que inevitável depois que li mais de 200 cartas de crianças e famílias pedindo as coisas mais básicas para sobrevivência; alimento, material de escola, roupa usada. Percebi o quanto somos fúteis, o quanto existe futilidade ao nosso redor, muito triste ler aquilo tudo e abrir a timeline do facebook e dar de cara com pessoas tomando de vinhos caros, exibindo seus iphones do ano ou carros importados, sim, também me senti fútil, sonhando com viagens, comida tailandesa e a última versão e tecnologia em chuveiro, enquanto a menina de quatorze anos só tem por sonho um bolo de baunilha com recheio de abacaxi ou a mamãe de uma criança de um ano e oito meses com sonho de ter frauda ou uma roupinha para seu filho passar a noite de natal.  

Vocês conseguem perceber o quão absurdo soa isso tudo? Vocês conseguem pensar que enquanto está lendo esse texto tem crianças e famílias que nunca terão uma ceia de natal? Ou nem mesmo o que vestir, onde dormir?  Enquanto a sociedade lá fora empurra goela abaixo de que a meritocracia é a maior das verdades, quando verdade mesmo é que enquanto você aí tem a possibilidade de estudar, se alimentar e se vestir adequadamente na outra margem existe aquele que não tem o que comer, o que vestir. Como a meritocracia se encaixa nisso? Quando uma pessoa sem recursos terá a mesma possibilidade daquela que teve? 

Futilidade maior ainda ver pessoas brigando, perdendo energia discutindo sobre raça, religião, machismo, feminismo, orientação sexual enquanto seres humanos morrem de fome. Vergonha ver pessoas lutando por conceitos sociais e ignorando necessidades básicas, ignorando seres humanos. 

Mais vergonha ainda saber que existe um governo, corrupto, pessoas capazes de tirar o pão da família para poder bancar apartamentos de luxo na zona sul carioca.  Com relação a essas pessoas só existe uma coisa a dizer; Enojada.

Se existe uma lição disso tudo é de que não devemos reclamar do que temos, sim é clichê, sim ouvimos isso todos os dias, mas só percebemos mesmo quando se aproximamos um pouco mais desses exemplos e além dessa lição aprendemos que nem tudo que consideramos necessário realmente é necessário nas nossas vidas, aprendemos a viver com menos a sermos mais gratos com as condições que temos, com o prato de comida, com o bolo de aniversário todos os anos, aprendemos a sermos mais gratos pela vida que levamos. 

Aprendemos a olhar mais ao redor, aprendemos que não existe presente maior do que fazer o bem para um semelhante e que na verdade nessa doação ocorre uma troca e quem mais ganha é você, com lições.

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