5 de jan de 2014

Meu pé de figueira

Quando agente é criança não precisa de nada para a vida fazer sentido, a felicidade vem com maior facilidade, as dimensões são minimizadas, lembro-me que para mim cidade era a  mesma coisa que o meu bairro e não passava disso, mas também para que passar ? eu era criança e para mim não fazia muito sentido esse negócio de "ambição".






























Cresci em um lugar bem distante da cidade grande, era uma cidade pequena, de poucos habitantes e super acolhedora, era o tipo de lugar que ao sair de casa todos lhe conhecem e você conhece à todos. Mas nada era mais especial para mim do que o meu bairro, aquele era o melhor lugarzinho do mundo, era onde meus sonhos habitavam. Havia uma subida íngreme nesse mesmo lugar, o caminho era todo revestido de paralelepípedo e eu passava por ele todos os dias, indo e vindo da escola. No topo dessa subida havia um barzinho, onde eu sempre comprava lanche para levar para escola, no inicio da mesma havia um pé de arvore enorme, pré histórico de tão antigo aquele pé de "coisa" era. 

Meu primeiro beijo foi lá, embaixo desse pé de "coisa", o menino era um amiguinho de infância, chamava-se Rodrigo, tinha os cabelos encaracolados igual os de um anjo, era ruivo e  bem baixinho, mas o que me chamava mais atenção nele era a incrível capacidade de me irritar, não sei porque, mas desde criança tenho uma "quedinha" por meninos que me tiram do sério. 

Naquele dia ele estava mascando chiclete e persistentemente me pedia um beijo, com muito sacrifício eu resolvi ceder as suplicas daquela criatura e o dei um selinho, bem rapidinho. Estávamos  debaixo daquele pé de "coisa" enorme que por ser outono estava perdendo todas suas folhas. Nesse momento na rua adjacente um de meus amiguinhos fez questão de estragar completamente o clima, e gritou... mas gritou muito... muito mesmo "- A figueira ", não bastasse o escândalo ele também apontava os dedos, chacoalhando as mãos freneticamente. Eu completamente sem graça me afastei e fui para casa, evitando olhar para trás... Figueira, essa palavra ficou na minha mente por muito tempo, do que será que se tratava Figueira? será que era o fato de estarmos nos beijando? Será que o nome disso era figueira? durante muito tempo, na inocência de uma criança nascida nos anos 90 eu acreditei que sim, o nome daquilo que eu e aquele menino chato fazíamos era figueira . 

Os anos passaram, eu cresci e nunca mais vi esse menino, consequentemente esqueci dessa historia maluca. Um dia, mais ou menos quinze anos depois, passando pela cidade que nasci em companhia de meu esposo, acabei atravessando por aquela velha e conhecida paisagem, a subida de paralelipípedo que tinha vista pro céu e cheiro de eucalipto. Olhei  aquele pé de arvore enorme, que nunca saiu dali, por mais que o tempo tivesse passado ele estava lá, vivo e robusto, não pude deixar de recordar e pensar, quanta historias esse lugar guarda,  quantas "figueiras" esse pé de "coisa"  tem para contar . 



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